Surto de Ébola. OMS anuncia risco epidémico "elevado" a nível nacional e regional

Surto de Ébola. OMS anuncia risco epidémico "elevado" a nível nacional e regional

A Organização Mundial da Saúde considera que há um risco epidémico "elevado" a nível nacional e regional, e "baixo" a nível global.

Cristina Sambado - RTP /
Gradel Muyisa Mumbere - Reuters

O risco epidémico do surto de Ébola na República Democrática do Congo foi avaliado como "elevado" a nível nacional e regional e "baixo" a nível global, anunciou esta quarta-feira a Organização Mundial da Saúde (OMS).

"A OMS avaliou o risco epidémico como elevado a nível nacional e regional e baixo a nível global", avançou o diretor-geral da Organização Mundial da Saúde, Tedros Adhanom Ghebreyesus, aos jornalistas em Genebra, um dia após uma reunião do comité de emergência sobre o surto de Ébola no leste da República Democrática do Congo.
O comité de emergência avançou ainda que o atual surto de Ébola “não cumpre atualmente os critérios para uma emergência pandémica”.

"A situação atual e os critérios para uma Emergência de Saúde Pública de Âmbito Internacional são cumpridos, e concordamos que a situação atual não preenche os critérios para uma emergência pandémica", afirmou a presidente do comité, Lucille Blumberg, à imprensa em Genebra.

O mais recente surto de Ébola, que se está a espalhar pelo leste da República Democrática do Congo e que chegou ao Uganda, já provocou mais de 130 mortos e há o registo de cerca de 500 casos suspeitos.

Segundo as investigações em curso o surto de ébola pela estirpe Bundubugyo começou “provavelmente” há alguns meses, com a primeira morte suspeita a 20 de abril.

"Dada a dimensão do problema, acreditamos que provavelmente começou há alguns meses, mas as investigações estão em curso e a nossa prioridade é realmente quebrar a cadeia de transmissão, implementando o rastreio de contactos, o isolamento e o atendimento a todos os casos suspeitos e confirmados", acrescentou Anaïs Legand, especialista técnica da OMS em febres hemorrágicas virais.

O Ébola provoca uma febre hemorrágica altamente letal. No entanto, os especialistas em saúde consideram que é uma pandemia improvável, uma vez que o vírus, que matou mais de 15 mil pessoas em África nos últimos 50 anos, é relativamente menos contagioso do que, por exemplo, a covid-19 ou o sarampo.
Doente norte-americano com Ébola tratado em Berlim
O cidadão norte-americano que contraiu o vírus ébola na República Democrática do Congo (RDC) foi hospitalizado numa unidade especializada do Hospital Charité, em Berlim, anunciou esta quarta-feira o Ministério alemão da Saúde.

O paciente chegou durante a madrugada de terça para quarta-feira, segundo a mesma fonte, depois de a Alemanha ter anunciado no dia anterior que tinha aceite um pedido dos Estados Unidos para a sua transferência.

"Não estamos a comentar o seu estado de saúde neste momento", disse um porta-voz à AFP, em comunicado.

De acordo com a ONG cristã norte-americana Serge, o paciente é Peter Stafford, um médico missionário da organização. Foi "exposto (ao vírus) enquanto tratava doentes no Hospital Nyankunde", no leste da RDC, segundo um comunicado divulgado na segunda-feira.
Apelo a ajuda internacional 

O ministro da Saúde da República Democrática do Congo pediu ajuda internacional para enfrentar o surto de Ébola que atinge o país.
Samuel Roger Kamba constata, no entanto, que países como o Congo têm hoje menos apoio do que no passado para combater problemas de saúde pública. 
Ébola e Hantavírus revelam que mundo não está preparado Os surtos mortais de Ébola e de hantavírus mostram que, embora a resposta às crises de saúde tenha melhorado, a sensibilização para os riscos de pandemias continua a ser insuficiente, alerta uma especialista em pandemias.

Mais de seis anos depois de a Organização Mundial da Saúde (OMS) ter declarado a pandemia de Covid-19, os esforços globais para reformar a resposta às crises de saúde pública tiveram um impacto positivo na reação aos recentes surtos de hantavírus e ébola, afirmou Helen Clark, ex-primeira-ministra da Nova Zelândia e copresidente do Painel Independente sobre Preparação e Resposta a Pandemias.

"Os novos regulamentos sanitários internacionais estão a funcionar", disse à AFP numa entrevista em Genebra.

Desde o momento em que foi emitido o alerta, a 15 de maio, sobre um novo surto de ébola na República Democrática do Congo (RDC), e após a descoberta, há algumas semanas, da rara epidemia de hantavírus a bordo do navio de cruzeiro MV Hondius no Atlântico, "a resposta foi bastante satisfatória", declarou.

"O nosso problema reside agora muito mais acima na cadeia alimentar", acrescentou, sublinhando que muito mais precisa de ser feito para identificar os riscos e compreender como "estes surtos se descontrolam".

"Penso que precisamos de muito mais conhecimento sobre a preparação baseada no risco", disse ela, defendendo um maior foco na identificação de potenciais ameaças, "o que pode surgir", e estar "pronto para lidar com elas".

Helen Clark realçou que a variante do hantavírus detetada no navio de cruzeiro, que desencadeou um alerta de saúde global após três mortes, era endémica na região da Argentina de onde o navio partiu.

"Mas não sabemos ao certo até que ponto isso era conhecido pelos navios que navegam regularmente a partir dali", observou. 

c/agências 
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